Geoprocessamento em Prefeituras - Parte III

Geoprocessamento Auxiliando as funções do Governo Municipal

Como já mencionado anteriormente, a base cartográfica vinculada ao cadastro municipal é apenas o começo do sistema de geoprocessamento municipal. Muitas outras aplicações podem ser desenvolvidas a partir do investimento inicial em bases de dados e no núcleo de geoprocessamento. As aplicações são inúmeras e só são limitadas pela própria imaginação dos usuários. A seguir uma breve discussão dos principais usos do geo em outras secretarias.

Planejamento

A principal função do geo no planejamento é a de auxiliar na criação e/ou manutenção do Plano Diretor. Pode-se também criar aplicações que simulem o crescimento previsto da cidade, facilitando a antevisão dos gargalos de trânsito, evidenciando a concentração de serviços e atrações em algumas áreas (em detrimento de outras), indicando as melhores áreas fora do perímetro urbano a serem destinadas à expansão urbana e de projetos habitacionais, identificando também regiões com grande declividade ou sujeitas a inundações. O zoneamento da cidade pode ser digitado em uma camada que quando sobreposta a outras camadas traz grande capacidade de simulação de cenários.

Desenvolvimento Econômico

Mapeamento inteligente de todas as unidades de produção de riquezas do município, cruzando com dados da fazenda (arrecadação de ISS) para a criação de estímulos à ocupação de áreas subaproveitadas.

Saúde

Georeferenciamento de todos os pontos de atendimento da rede municipal de saúde, localizando os endereços de cada um dos atendidos, classificados por idade, escolaridade, tipo de doença diagnosticada, etc, de forma a se obter um mapa das regiões mais carentes de determinado tipo de atendimento, detectar a excessiva concentração de atendimentos em hospitais de casos típicos de postos de saúde, mapeamento de doenças contagiosas ou eminentemente geográficas (como a dengue) para operações de combate a vetores ou vacinações de emergência.

Defesa Civil

Mapeamento das áreas de risco de desabamento de encostas ou alagamento de rios, de fábricas de risco potencial à segurança da população, para o estabelecimento de medidas emergenciais a serem acionadas, por exemplo, a partir de certo nível crítico de pluviosidade. Aplicações podem ser criadas para se simular a ocorrência de catástrofes e criar ou testar as medidas de emergência.

Transporte

Plotagem de todas as linhas de transporte coletivo, de forma a se racionalizar a escolha de novas rotas e pontos de ônibus, permitir a redistribuição racional da freqüência de cada linha, realocar pontos de táxi e vans, facilitando os trabalhos de fiscalização e planejamento da infra-estrutura de transportes públicos. Montagem de modelos de fluxo de trânsito que permitam reprogramar semáforos, inverter mãos de ruas e outras medidas que possam otimizar a circulação.

Limpeza Urbana e Coleta de Lixo

Na ponta de entrada, localização de todas os coletores de lixo, pontos e rotas de coleta, de forma a se remanejar horários e rotas para otimizar o recolhimento do lixo. Na ponta de saída, mapeamento de todos os aterros sanitários atuais, e localização de áreas ideais para novos aterros ou outras unidades de saneamento considerando diversas características locacionais.

Equipamento Urbano

Planejar as tarefas rotineiras de limpeza e manutenção do aparato urbano incluindo parques, jardins, iluminação pública, etc. Localizar todos os equipamentos urbanos para melhor planejamento de sua manutenção. Identificar áreas deficientes em equipamentos e normalizar a distribuição dos recursos financeiros a serem investidos.

Educação

Dimensionar e localizar a rede escolar de acordo com as demandas reais de vagas (local de residência) e em função do nível sócio-econômico da população. Localizar cada uma das unidades escolares, geocodificando todos os endereços dos estudantes de um estabelecimento, para verificação de possíveis distorções na distribuição da rede municipal incluindo reorientação de alunos. Mapeamento do grau de escolaridade por bairro ou sub-bairro, de forma a se oferecer em cada região aquilo de que ela carece. Registro do número de tentativas de matrícula não atendidas em cada unidade da rede, de forma a se estabelecer uma lista de localidades prioritárias para a instalação de novas escolas. Mapeamento da evasão e da repetência, para o estabelecimento de programas voltados às regiões onde ocorrem os problemas. Uso do geoprocessamento para se mostrar resultados de políticas aplicadas. Cruzamento de todas as camadas com dados socio-econômicos do IBGE.

Habitação

Mapeamento de todas as invasões e áreas de ocupação irregular, com atributação de dados sobre a população envolvida, de forma a se dimensionar a solução racional do problema. Escolha de novas terras a serem objeto de projetos de expansão urbana, adequados à instalação de novos bairros. Análise da infra-estrutura existente ou necessária para novos empreendimentos.

Água e Esgoto

Georeferenciamento de toda a tubulação de distribuição e coleta, com atributos de idade e características técnicas de cada tipo de tubulação, para aperfeiçoamento do trabalho preventivo e de manutenção, além de economia significativa em caso de intervenções de emergência.

Criminalidade

Auxiliar o combate a criminalidade (tarefa dos governos estaduais) através do registro e análise das ocorrências em relação à outras camadas como rede viária, distribuição sócio-econômica, localização das delegacias e das rotas de patrulhamento.

Recursos Naturais e Meio Ambiente

Mapear as áreas de preservação ambiental, monitorar e recuperar áreas de degradação ambiental, avaliar o potencial dos recursos hídricos, avaliar o risco de poluição crônica e de acidentes com derramamento de substâncias nocivas.

Agropecuária, Extrativismo e Mineração

Criar o banco de dados rural incluindo camadas de fertilidade/pH/produtividade do solo, topografia, cobertura florestal, culturas, produção madeireira, geomorfologia e minas, etc. Monitorar a estrutura fundiária nas áreas rurais, simular o potencial do solo para otimizar atividades agropecuárias - zoneamento rural estimar o volume da produção agrícola/mineral/extrativista para calcular o índice de participação do município no ICMS, definir programas de construção e manutenção de estradas vicinais, otimizar a utilização dos recursos naturais.

Geoprocessamento em Prefeituras - Parte II

Tarefas a serem desenvolvidas após a construção da base cartográfica

Vinculação e Atualizaçao dos Dados Cadastrais da Fazenda - Uma base cartográfica sem vinculação com banco de dados alfanuméricos tem sua aplicação muito limitada e é um grande desperdício do investimento. É de grande importância que se vincule cada registro do cadastro de IPTU à sua respectiva representação gráfica (lote/edificação) na base cartográfica digital. Durante o processo de vinculação do cadastro da fazenda (IPTU) com as camadas de lotes e/ou edificações, geralmente descobrem-se inúmeras inconsistências. Esse é o momento ideal para se atualizar e corrigir o cadastro.

Unificação e Padronização da Toponímia – Especialmente em áreas não consolidadas, é muito comum encontrar-se dois ou mais nomes para uma mesma rua. Durante a codificação dos dados para inserção na base cartográfica tem-se uma grande oportunidade de se estabelecer os nomes oficiais dos logradouros do município. Algumas prefeituras aproveitam também para implentar o sistema internacional métrico de numeração de portas.

De posse dos dados acima mencionados, pode-se construir uma camada denominada “geocode”. O geocode é uma camada formada pelos eixos de logradouros seccionados em cada cruzamento. Cada segmento de arco recebe como atributos um código de logradouro, o nome do logradouro e os números de porta iniciais e finais dos lados direito e esquerdo. Essa camada pode ser utilizada para automaticamente transformar listas de endereços em pontos no mapa. Por exemplo, pode-se transformar a lista de todos alunos da rede de escolas municipais em pontos no mapa representando cada um dos alunos. Com isso, facilita-se a melhor distribuição dos alunos em relação as escolas existentes mais próximas de suas moradias.

Detecção das Construções Clandestinas – Nesse processo verificam-se as diferenças entre as áreas dos imóveis visualizados a partir do levantamento aerofotogramétrico com os registros alfanuméricos dos cadastros de IPTU. Novas construções e ampliações clandestinas podem ser identificadas e pode-se cobrar impostos ( após confirmação de campo) aumentando assim a arrecadação do município.

Nos casos em que existam edificações cadastradas para um certo lote, verifica-se a área estimada. Caso a área estimada seja maior que a área cadastrada, calcula-se a diferença de área e a diferença do imposto a ser cobrado.

Caso não existam edificações cadastradas para um lote no mapa, é lançada a área estimada e o imposto será calculado e emitido.

Vinculação dos Processos de Aprovação de Projetos aos Dados Cadastrais da Fazenda – Novas construções são aprovadas constantemente e devem ser imediatamente lançadas na base cartográfica e no cadastro de IPTU. Apesar de intimamente ligadas e complementares, raramente as rotinas de aprovação e da fazenda caminham juntas, provocando defasagens no cadastro imobiliário. Quanto mais eficiente o intercâmbio, mais confiável e rentável será o cadastro. Nessa fase, podemos estabelecer rotinas para que os dois processos sejam vinculados automaticamente.

  • Planejamento da Fiscalização – De posse das inconsistências entre área cadastrada e área levantada a partir da restituição (digitação), pode-se visualizar no mapa as inconsistências e planejar visitas dos fiscais ao campo. Os fiscais podem confirmar as irregularidades utilizando roteiros planejados e evitando-se desperdício do tempo gasto na rua.
  • Criação da Planta Genérica de Valores Digital - Um dos instrumentos mais importantes para melhorar a fonte de recursos, a PGV influi na cobrança do imposto predial e de territorial urbano - IPTU. Esta planta permite a fixação prévia de valores básicos unitários dos terrenos, expresso por metro quadrado de área edificada em função do tipo e padrão de acabamento e das benfeitorias públicas do entorno. A PGV reflete os índices de valorização imobiliária e pode facilitar a ação reguladora do governo municipal quanto ao uso e ocupação do solo.
  • Criação do Núcleo de Geoprocessamento – Além da base de dados, o geoprocessamento necessita de instalações físicas apropriadas, hardware e software de última geração e - especialmente - de pessoal bem treinado. É de grande importância que se utilize uma Base Única ou Mestra. Essa Base Única deverá estar fisicamente situada em um computador central (servidor) de onde poderá ser acessada por todas as secretarias e autarquias municipais que podem fazer uso do geoprocessamento.

A principal função do núcleo é a de coordenador responsável pela integridade do Banco de Dados, pela política de edição/atualização e pela distribuição da informação e da tecnologia pelas diversas secretarias.

O direito de edição das bases deverá ser cautelosamente estudado e controlado pelos profissionais de maior experiência. Por outro lado, recomenda-se que softwares do tipo "shareware" de visualização (distribuídos gratuitamente) sejam oferecidos para o maior número possível de potenciais usuários da tecnologia.

Outros Cadastros que Podem Ser Vinculados à Camadas de Cartografia Digital

  • Cadastro de equipamentos e serviços: Destina-se ao controle e registro dos equipamento e serviços urbanos existentes e ao planejamento de sua ampliação. Permite a visualização global, sem porém oferecer o detalhamento de cada equipamento ou serviço, que deverá ser realizado por cada órgão responsável. Informações especificas serão posteriormente inseridas em camadas temáticas.
  • Cadastro de Informações Sociais: Contém informações sobre as condições sócio-e econômicas, demográficas, emprego e renda, educação, habitação, saúde e saneamento dapopulação local. Propiciará à administração o estabelecimento do perfil da realidade local, identificando as áreas mais críticas e dará subsídios para se planejar os melhoramentos na qualidade de vida da população.
  • Cadastro de informações econômicas: É composto por um conjunto de informações de cada agente econômico: comércio, indústria e prestação de serviços, existentes no município. É dado ênfase ao levantamento de informações sobre a setor terciário da economia local especialmente os prestadores de serviços. Normalmente, esse segmento tem grandeimportância na ocupação da mão de obra e é fonte de recursos para o caixa do município através da cobrança de impostos sobre serviços, ISS.
  • Cadastro de informações rurais: Permite ao município avaliar o impacto da agricultura e da pecuária na economia local e levantar pontos de estrangulamento do desenvolvimento do setor rural. Contém informações sobre a produção, equipamentos e serviços públicos da localidade, aspectos sociais, infra-estrutura, e principalmente do uso e ocupação do solo, imprescindíveis ao Plano Diretor.

Geoprocessamento em Prefeituras - Parte I

Utilização do Geoprocessamento em prefeituras

O geoprocessamento nas prefeituras pode atuar como instrumento de modernização da administração. Através da distribuição da tecnologia e da informação obtém-se a descentralização da tomada de decisão. O sistema de geoprocessamento adquirido por municipalidades não pode ser algo complexo, mantido enclausurado entre técnicos em eterna fase experimental. O sistema deve ser compartilhado pelas diversas secretarias criando as condições para se prestar melhores serviços a população.

O objetivo desta proposta é detalhar como o sistema de geoprocessamento pode ajudar os profissionais em cargos executivos - e os demais funcionários da prefeitura - a entender melhor seu território e a população que vive nele para que possam intervir nos processos com mais conhecimento de causa.

Como iniciar o processo

Usualmente, um projeto de geoprocessamento para prefeituras inicia-se pela construção de uma base cartográfica digital que inclua representação vetorial do cadastro imobiliário do município. Através de um vôo aerofotogramétrico ou utilizando-se imagens de satélite, constroe-se uma representação gráfica inteligente de todos os imóveis do município. Os benefícios são imediatos. Além de ser a base sobre a qual novas camadas de informação podem ser construídas, pode-se com essa representação da realidade encontrar ampliações ou novas construções clandestinas.

Geração da Base Cartográfica Digital – A partir de ortofotos, imagens de satélite, arquivos de AutoCAD e/ou cópias heliográficas convertemos, interpretamos e restituímos (digitamos) diversas camadas que compõem uma base cartográfica digital: Principais Camadas da BCD

  • Meio Fios
  • Eixo de Logradouros
  • Lotes
  • Edificações
  • Hidrografia (rios/lagos/etc.)
  • Ferrovias
  • Pontos Notáveis

Manuais de apoio

Serão disponibilizados aos poucos materiais de apoio que servirão para auxiliar o uso do Quantum GIS como ferramenta de consulta e análise territorial. Segue alguns tutoriais:

Introdução ao Quantum GIS:

Geoprocessamento

O termo geoprocessamento denota a disciplina do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento da informação geográfica e que vem influenciando de maneira crescente as áreas de Cartografia, Análise de Recursos NaturaisTransportesComunicações, Energia e Planejamento Urbano e Regional.

As ferramentas computacionais para geoprocessamento, chamadas de Sistemas de Informação Geográfica GIS - sigla em Inglês para SIG -, permitem realizar análises complexas, ao integrar dados de diversas fontes e ao criar bancos de dados geo-referenciados. Tornam ainda possível automatizar a produção de documentos cartográficos.

Num país de grande dimensão como o Brasil, com uma grande carência de informações adequadas para a tomada de decisões sobre os problemas urbanos, rurais e ambientais, o Geoprocessamento apresenta um enorme potencial, principalmente se baseado em tecnologias de custo relativamente baixo, em que o conhecimento seja adquirido localmente.

Muitos pesquisadores e especialistas na área preferem o termo "Geoinformática", que é mais geral que o termo "Geoprocessamento", e corresponde a uma analogia ao termo "Bioinformática". ASociedade Brasileira de Computação (SBC) prefere este termo. A SBC possui uma comissão especial de Geoinformática e organiza anualmente o Simpósio Brasileiro de Geoinformática (GeoInfo).

Mais facilmente falando são informações relacionados a recursos naturais,cartografias,transportes,comunicações,e outros;por meio da informática.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Geoprocessamento

Sistemas

Quantum GIS

Definição:

Quantum GIS (QGIS) é um software SIG com uma interface gráfica simples e atraente, escrito em C++ e Python e baseado nas bibliotecas Qt4. É livremente distribuído com a licença GPL (GNU General Public License) e é um projeto oficial da Open Source Geospatial Foundation (OSGeo).

História:

O projecto QGIS teve início em Fevereiro de 2002 tendo o primeiro lançamento do programa ocorrido em Junho do mesmo ano. O objectivo inicial era criar um visualizador gratuito para a base de dados geográfica PostGIS que funcionasse em sistemas operacionais livres (GNU/Linux). Com o tempo, o QGIS tornou-se numa aplicação multi-plataforma que funciona em todas as principais versões do Unix, GNU/Linux, bem como Mac OsX e MS Windows. Suporta numerosos formatos vetoriais, raster, e bases de dados, e fornece uma ampla gama de funções de geoprocessamento raster e vetorial.

A Comunidade do QGIS:

O projecto QGIS é o resultado do trabalho de um grupo de desenvolvedores, tradutores, autores de documentação e pessoas que ajudam no processo de lançamento de novas versões, identificando e divulgando as falhas do programa. A sua contribuição é largamente voluntária, mas em alguns casos é suportado diretamente por empresas, instituições e administrações publicas. QGIS é gerido pelo Project Steering Committee, um grupo de cinco pessoas que prestam orientação técnica, relações com a comunidade, a gestão do lançamento de novas versões e atividade financeira. O trabalho é dividido entre muitas pessoas, cada qual com uma área de especialidade, e indivíduos que contribuem em questões específicas. Estes voluntários, juntamente com o grande número de usuários, compõem a comunidade mundial de QGIS. Com o tempo, o empenho de toda a comunidade produziu um conjunto de código e documentação, que qualquer um pode utilizar livremente e melhorar. O projeto fornece informações sobre as últimas novidades, lançamentos de novas versões, o uso e o desenvolvimento através de ferramentas colaborativas como o site da Internet, o wiki, o fórum, o bug tracker e os blogs. Na maioria dos casos, estas ferramentas permitem a livre contribuição dos usuários após simples registro. É fácil entrar em contato com os outros usuários e desenvolvedores e participar na discussão geral acerca do QGIS, através das listas de discussão e Internet Relay Chat (IRC).

Imagem do sistema:

 

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